Simone Pellegrini

7 de fevereiro de 2012

Ao pensar no texto que eu escreveria para o blog da escola, mudei o tema três vezes. Primeiro, pensei em registrar a alegria em receber os alunos de volta à escola; depois, pensei em escrever sobre a disciplina de Empreendedorismo Social, que permeará a escola em 2012. Mas, na última sexta, recebi a excelente notícia de que uma aluna do terceiro ano do Ensino Médio passou na segunda fase da USP e é esse tema que abordarei.
Por não encontrar palavras que descrevam a sensação de contentamento que tomou conta da equipe, tentarei descrever o que isso significa:

O Centro de Ensino São José é uma escola interacionista e inclusiva. Isso significa que nosso foco principal não é o produto final do processo de escolarização, mas o processo em si. Aqui, não validamos somente os alunos que tiram notas máximas em exames, mas todo aquele que consegue superar seus próprios limites. Alegramo-nos ao ver crianças e jovens com dificuldade de aprendizado inseridos no contexto escolar e alegramo-nos também ao dar-lhes atenção individualizada para que suas potencialidades sejam desenvolvidas. Por isso, vibramos muito quando recebemos notícias de que os já formados estão em boas faculdades e bons empregos, apresentando ou não qualquer dificuldade de aprendizado, uma vez que foram estimulados a alcançar seus objetivos.

Estamos muito felizes pela Letícia e por todos os nossos alunos que também conseguiram excelentes colocações em outras universidades. Ficou, sem dúvida, um gostinho especial de que, agora, o mundo também sabe que existe um lugar onde aprender é prazeroso e natural, onde o conhecimento é um produto raro de construção e não de transmissão de conhecimento e de que, num ambiente agradável de validação, grandes sonhos podem ser alcançados.

SIMONE

Simone Pellegrini

Diretora Geral

Arte, uma emblemática e tentadora ação

21 de novembro de 2011

Professor Eduardo CostaArte, uma emblemática e tentadora ação

Sou professor de arte/teatro e trabalho com alunos do fundamental I, II e ensino médio. A diversidade das turmas está explícita. Às vezes, pergunto-me como consigo fazer isso? Dar conta das diferenças de linguagens a todos?
A resposta não vem de forma verbal. Vem da prática, da rotina, do olhar, da observação, dos êxitos e das decepções. É necessário estar atento e sereno para pôr em prática essa habilidade e fazer vir à tona o que está submerso ou fazer fluir o que está curso.
Hoje me permito a certos questionamentos, que até há pouco tempo considerava absurdos, como, por exemplo: “Arte se ensina?”, “Isso não é um dom?”,”O que acontece com quem não sabe desenhar?”.
Ser professor me leva não só a tais questionamentos, mas também a descobertas de como usar a liberdade de expressão no seu mais puro sentido. Oriento meus alunos a fazerem do seu jeito. Não acredito que haja uma pessoa na face da Terra que não saiba pelo menos desenhar uma árvore, uma flor ou uma meia-lua! Digo-lhes também que a pessoa que realmente não sabe desenhar, entregará a folha em branco.
E é exatamente isso que não ocorre nas nossas aulas. Todos se esforçam em fazer o que o seu limite permite.
Devo comentar as diferenças de motivação nas turmas. Os menores são mais desbravadores, ousados, possuem uma autoconfiança tipicamente infantil, mesmo os mais críticos. Já os maiores são predominantemente críticos. Questionam o tema, o material que será usado, as sugestões e o tempo que levarão para concluir. As cores têm seu espaço garantido. Há aqueles que se propõem a inventar novas tonalidades e os que preferem o monocromático. Há os que misturam diferentes tipos de materiais, e aqueles que se contentam com o grafite puro e simples.
No final, recolho trabalhos altamente autorais e alguns surpreendentes pela imagem reveladora. O destino é um só: serão todos expostos para a apreciação.
E como nem tudo são flores no mundo da arte, há momentos em que um olhar mais desavisado vê sombra no escuro, ou seja, detalhes que sozinhos têm seu contexto deturpado e, com isso, poderá complicar o todo, condenando a obra ao exílio imposto. Surge, então, a polêmica impávida e colossal.
Nesse momento, deixo de ser um professor e passo a ser o advogado de defesa do objeto. Nada mais constrangedor! Poderíamos aproveitar a chance e deixar a obra falar por si, de forma integral e não fragmentada. Seria necessário também obter o apoio favorável dos jurados no momento da decisão final. Mas, dependendo da acusação, a condenação é certa. Não posso deixar de dizer que obra de arte não é um remédio que vem acompanhado de bula.
Tudo isso faz parte de um processo, infelizmente, do qual aprendemos a lidar com as adversidades, independentemente do seu grau. Vamos acumulando conhecimentos, estratégias, recursos, ações e paciência.
Ser professor não é simples como para muitos parece. Além da vocação, é preciso do “algo mais” para seguir em frente.
Acredito que eu esteja no caminho certo e com grandes possibilidades de ser bem sucedido nas minhas empreitadas, pelo que sinto no momento em que estou na sala de aula ou jogado no chão junto com os alunos sujando as mãos de tinta, ou vendo-os executando uma atividade em meio a um barulho musicalmente ensurdecedor.
É uma estrada sedutora e desafiadora!
É isso!

Professor Eduardo Costa

EDUCAÇÃO INFANTIL E MEIO AMBIENTE

17 de junho de 2011

Preservar o meio ambiente, proteger a natureza, reduzir, reciclar e reutilizar, são termos que as crianças estão se adaptando a ouvir constantemente, porém para os pequeninos da educação infantil são termos e ações que podemos considerar abstratas para que possam compreende – las e vislumbras suas aplicabilidades. Eis o momento em que as escolas e professores devem compartilhar e interar seus alunos sobre os acontecimento ambientais e como eles podem contribuir para ajudar a natureza e viver bem em sociedade.

acessem site para visualizar a matéria completa
http://www.shinycomunicacao.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=305%3Aeducacao-infantil-e-o-meio-ambiente&catid=63%3Ameio-ambiente&Itemid=95&lang=pt
Carolina Favaro, professora de Educação Infantil – Centro de Ensino São José – SP.

Entendendo as designações das obras literárias

17 de maio de 2011

O que é um Clássico?
O termo clássico surgiu derivado do adjetivo latino classicus, que indicava o cidadão pertencente às classes mais elevadas de Roma. No século II d.C., o termo foi utilizado para designar o escritor que por suas qualidades literárias poderia ser considerado modelar em seu ofício: “Classicus scriptor, non proletarius.”
Durante o Renascimento, o termo clássico reapareceria, seja em textos latinos, seja nas línguas vernáculas, referindo-se tanto a autores greco-latinos quanto a autores modernos da própria época, considerados modelos de linguagem literária na língua vernácula.
No século XVIII – o termo se estenderia aos autores que aceitavam os cânones da retórica greco-latina: ordem – clareza – medida – equilíbrio – decoro – harmonia e bom gosto.
Tornou-se, pois, a base de uma estética essencialmente normativa. Assim, clássico, indicando modelo exemplar, cristalizou-se como tradição, como cânone gramatical e semântico, como relicário do idioma e como um conjunto de regras imutáveis, isto é, universais e “ahistóricas”. No plano da mensagem, o que valia para caracterizar um clássico era a sua dimensão edificante, seus componentes morais e a sua capacidade de apresentar as paixões humanas de forma decorosa.
No século XIX, a grande rebelião romântica começou a destruir a rigidez conservadora que envolvia a ideia de uma obra clássica. Victor Hugo não se ateve ás regras, abrindo um caminho mais liberto para a criação literária. Contudo, foram as vanguardas das primeiras décadas do século XX – especialmente Futurismo e Dadaísmo – que levaram a ruptura com o classicismo às ultimas consequências, propondo, a exemplo de Marinetti, a destruição de bibliotecas, museus e tudo aquilo que representasse o “peso vetusto da tradição”.
Passado o furor das vanguardas, o que ficou? No plano do senso comum, clássico, hoje, indica uma obra artística superior, definitiva e que, por seus vários elementos estético-ideológicos, aproxima-se daquilo que (de forma mais ou menos nebulosa) chamaríamos de perfeição. Porém, esta definição não tem mais o sentido normativo que possuía no passado, pois as sucessivas mudanças culturais, corridas no Ocidente, especialmente a partir dos anos de 1960, quebraram toda e qualquer ideia de obra modelar e instauraram um conceito mais amplo e flexível do que seria um clássico.

In: Terra – Literatura Brasileira, por Sérgius Gonzaga.

http://educaterra.terra.com.br/literatura/temadomes/temadomes_classicos_1.htm

O que é texto integral?
Integral significa completo, sem retiradas, portanto, se o livro é de texto integral significa que ele é completo, inteiro, sem cortes. As obras que contemplam todo o texto concebido pelo seu autor possuem “texto integral”, quando não, são denominadas adaptações.

O que é Adaptação?
Segundo os dicionários de Língua Portuguesa, adaptação (do latim, adaptatione) é a ação ou efeito de adaptar, acomodar algo ou alguém em um novo padrão, seja ele: lingüístico, físico ou espacial. Sendo assim, tem-se para a literatura que adaptar é recontar a obra lida e, consequentemente, analisada, do modo como se deu a interpretação de um determinado leitor.
A adaptação é geralmente entendida como a modificação de uma obra preexistente, transformando-a de um gênero para outro, como as adaptações cinematográficas de romances ou de obras musicais.

In: Como se dá a produção como se dá? Ensinamentos práticos do cinema (2001), Alcântara Medeiro.

O que é tradução?
No final do século XVIII, o jurista inglês Alexander Fraser Tytler (1790) escreveu o primeiro ensaio exclusivamente sobre a questão da tradução, no qual elenca os princípios tradutórios, baseados em sua experiência como tradutor literário. Os princípios de Tytler são: a tradução deve consistir na transcrição completa das ideias do texto original; o estilo da tradução deve ser o mesmo do texto original; o texto traduzido deve possuir a mesma fluidez do texto original.
Segundo Humboldt (1936), os sistemas linguísticos são parte intrínseca de uma dada cultura, e a necessidade que há de se expressar conceitos em uma dada língua é determinada pela própria cultura. Humboldt dizia que não há qualquer relação intrínseca entre as culturas do mundo, as formalidades “universais”. No entanto, o que estabelece a visão que um sujeito tem do mundo é sua cultura – socialmente compartilhada, mas única, singular – comum a seu grupo social, e ao mesmo tempo idiossincrática. Ao se pensar, por exemplo, na palavra floresta, é possível imaginar que um brasileiro pensasse em um agrupado gigantesco de árvores tropicais, relativamente espaçadas umas das outras, cuja fauna é composta por onças-pintadas e macacos, com clima permanentemente quente e úmido – uma visão da Floresta Amazônica. É possível que para um alemão, no entanto, a palavra Wald (tida como “equivalente” em qualquer dicionário bilíngue português-alemão) tenha como referência um símbolo completamente diferente – árvores coníferas, que formam um tecido de vegetação fechado, escuro, frio, habitado por ursos, veados e esquilos – uma visão da Floresta Negra. De que equivalência poder-se-ia falar aqui? À medida que os mundos culturais são diferentes, denotam símbolos diferentes, que não necessariamente correspondem a qualquer outro símbolo de qualquer outra cultura.
Em suma, traduzir é a habilidade de mapear aquilo que foi escrito e que pertence a uma determinada cultura – leitura objetiva – e, em seguida, transportar tudo aquilo de modo intacto ao seu destino.

In: Como se dá a produção como se dá? Ensinamentos práticos do cinema (2001), Alcântara Medeiro.

O que é Bestseller?
Bestseller é um livro considerado como extremamente popular entre os leitores e é incluído na lista dos mais vendidos. Um Bestseller é considerado “literatura de massa” e inclui necessariamente o consumo. Para produzi-lo, o escritor deve pretender não apenas contar uma história, para comover ou informar, mas sim produzir um sentido de totalidade relacionado ao leitor; envolve história, psicologia e metafísica, criando um mundo imaginário (mesmo que com pontas de realidade) com efeitos particulares.
Bestseller é uma expressão da língua inglesa para indicar os livros mais vendidos no mercado editorial. Inicialmente a expressão era utilizada para rotular as obras de literatura mais vendidas nos EUA, consequentemente, foi tomada em todo o mercado editorial global, desde romances e histórias de suspense até mesmo livros técnicos, manuais, etc. O Bestseller é, portanto, definido unicamente pelo seu volume de vendas. Outros fatores decorrentes de um Bestseller são suas adaptações e traduções para outros idiomas, o número de edições e revisões e sua ampla exposição nos meios de comunicação de massa.
Ironicamente, quando um livro recebe este rótulo, desencadeia um processo de vendas ainda maior. Independente da qualidade literária, técnica ou didática da obra, o mercado consumidor percebe este tipo de obra como sendo de boa qualidade apenas pelo seu número de vendas.
Não existe nenhuma fórmula mágica para escrever um Bestseller, porém alguns autores pegam carona no sucesso de outros tipos de produção, como é o caso dos títulos inspirados em filmes, documentários e até mesmo outros livros com o status de Bestseller.

In: In: Terra – Literatura Brasileira.

http://educaterra.terra.com.br/literatura/temadomes/bestseller_1.htm

O que é Produção Independente?
A produção independente se dá por meios próprios, sem o financiamento e/ou investimento de terceiros. Geralmente, as produções literárias independentes possuem pouca tiragem, ou seja, são confeccionadas em número reduzido e todo o trabalho se concentra nas mãos dos seus organizadores.

In: Como se dá a produção como se dá? Ensinamentos práticos do cinema (2001), Alcântara Medeiro.

Ser ou não ser você: eis a questão O meu Auto-retrato e o de qualquer adolescente

25 de agosto de 2010

Ser ou não ser você: eis a questão. Eu acho que esse é o grande dilema de todos aqueles que, assim como eu, são adolescentes e passam por aquela agonizante e incessante jornada de busca por adaptação à sociedade e para descobrir quem é verdadeiramente você. É isso, você, você mesmo, apenas você, sem pose, sem maquiagem, nu diante de um espelho que reflete sua alma.

Porque na maioria das vezes as pessoas mascaram-se, abrem mão de serem elas mesmas para encaixarem-se em um grupo, e mesmo se tiverem os melhores amigos do mundo, de alguma forma, eles fazem alguma pressão e exercem uma influência sobre você. É praticamente impossível que seja o contrário, então caro leitor, não venha me dizer que não passou por isso, porque isso seria uma tremenda mentira.

Deixe-me ilustrar, duvido que se em uma sala de aula, houver um grupo inteiro de pessoas fanáticas por um livro e só falam dele, você não irá, ao menos, querer conhecê-lo ou lê-lo para falar sobre isso também, não que isso seja errado, inclusive eu não acho isso, mas essa situação pode até ser perigosa dependendo de quem for sua influência (fica a dica: faça como eu, por mais que se ache o rei da personalidade, o influenciável, nunca seja amigo de um drogado ou coisa do gênero, apesar de que eu acredito que eles podem se redimir). Outro perigo é isso chegar ao ponto de você ter uma crise existencial, isto é, não saber quem você é ou do que você realmente gosta.

Ultimamente, comecei a gostar de uma série de TV que não é bem da moda, é mais intelectual, quando disse isso, todos me olharam estranho, e nem quiseram experimentar. Porém, basta aparecer uma banda nova de loiros com tanquinhos e com refrões pegajosos, todo mundo ama. Escrevi esse texto como uma reflexão de quem eu sou e para discernir quais das minhas atitudes são realmente minhas.

O pior é o caso de aparecer alguém diferente, ele é vergonhosamente excluído e ridicularizado. É o “junte-se a nós ou dane-se”. Por exemplo, você chega a uma festa, todos estão bem vestidos, as meninas com roupas da moda, algumas mais ousadas, expondo até o que não pode, mas a pista de dança não está muito agitada e estão todos no canto sem dançar, estão apenas se movendo devagar de um lado para o outro no ritmo da música. Suponhamos que seja sua música favorita e você está roendo-se de vontade de dançar e cantar, o que você faria? Se todo mundo estivesse dançando e você soubesse dançar como eles, tudo bem, mas nesse caso você está sozinho; e eles vão:

Iriam rir de você.

Olhar para você.

E cochichar sobre você,

Fofocar, falar mal de você.

Até que não lhes reste mais fôlego, e não me venha dizer que nunca fez isso, até eu já fiz isso (o arrependimento depois é dose). É quase natural, parece que caçoar dos outros fortalece relações humanas. De novo para adaptar-se, é um assunto que todos riem e fazer rir é um quesito para fazer parte da turma. Nós somos muito maus, “nós”, que eu digo são os humanos. Entretanto, aquele que consegue se adaptar oprimindo os outros é tão perdido quanto aquele que só quer dançar. A diferença é que o primeiro tem a ilusão de que está tudo bem, de ter encontrado seu lugar e a si mesmo, todavia é só mais um que se integrou (e se entregou) ao grupo que está na moda, a mentora de todos.  A grande contradição disso é que eles competem para ver quem está mais na moda e acaba sendo todo mundo igual, todos tentam ser mais iguais para serem diferentes. Essa ilusão de sentir-se completo por estar entre o grupo é algo engraçado, é como um sonho, é amar uma mentira. A ilusão é doce, por mais que saiba que é um sonho, você quer acreditar nele, mas depois a queda é feia (a desilusão, a verdade). A maioria das coisas as quais nos apegamos são ilusões, fechamos os olhos para tantas coisas, porque mentir para si mesmo é reconfortante. Por isso, quando sua piada acaba você continua fazendo outras, continua tentando encaixar-se, pois não foi o bastante para fazer parte do grupo. Há momentos em que você se arrepende de magoar os outros e então isso vai consumindo-o até você explodir ou você irá apenas reprimi-lo, o que é pior.

Imagine, então, voltando ao nosso exemplo da festa, se você não souber dançar e quiser apenas se mexer, fazer passos diferentes, até um pouco estranhos para mostrar que gostou da música, irá parecer muito mais ridículo, será taxado de louco e, provavelmente, nunca mais vai dançar. Algumas vezes está todo mundo dançando e você quer dançar também, mas se reprime porque não sabe dançar, isso também vai consumindo sua alma aos poucos.

Eu já cansei de ser reprimida ou reprimir, pois percebi que estou me juntando a eles e tentando me juntar ao mesmo tempo.  Percebi o quanto são (ou será somos?) maus. Quero minha libertação, porque juntar-se a essa influências, os robôs e “Barbies” da moda, é um caminho (quase) sem volta.

Giovanna Pereira Paulucci, 29 de abril de 2010.